11 de Junho

Meu olhar sobre o Pinga da Mei Dia

Eu amo o Mossoró Cidade Junina!
Praticamente, nos meses de junho, me mudo para Mossoró. Vou, desde a abertura, no maravilhoso Pingo da Mei Dia, aos shows no Cidadela (que por sinal lembra, mais uma vez, uma gélida feira de eventos) – e assisto, sem enfado, ao espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró uma dezena de vezes.
E termino meus dias me esbaldando no Boca da Noite.
 

Mas, acostumado com padrão Gustavo Rosado de qualidade, tudo, quase sempre, deixa a desejar no evento de anos para cá.
Ninguém, desde que Gustavo passou o bastão, seguiu seus passos.

O Pingo foi maravilhoso, claro!
Sempre é, quando se tem a melhor turma, um bloco animadíssimo e Gin para brindar a vida.
Mas falta um que de charme ao evento. Uma certa organização.
Do vai e vem dos trios e seus desencontros, à ocupação nas ruas da cidade.
Camarotes, muitas vezes horrendos, invadem calçadas.
Invadidas também por ambulantes, por barracas, por carros de som.

Com a grandiosidade do evento, falando em 100 mil pessoas, ou seja: praticamente a metade da população da cidade, se faz necessário, então, um policiamento mais efetivo, mas combatente, mas eficaz.
São péssimas as notícias da violência durante o Pingo, de assaltos, de pessoas agredidas. Como um casal de turistas do Recife, que deu entrada num hospital da cidade profundamente machucado e que certamente jamais voltará para Mossoró.
Como eles, o relato de muita gente, atônita com a violência que tomou conta de algumas   paisagens da cidade.
Aliás, alguns lugares no entorno da festa não tinham sequer luz.
Becos, ruelas, e ruas estavam no escuro.


No que se refere a banheiros químicos, outro caos. Onde estavam? Por que não se faz uma bateria de banheiros e os indica para os foliões? Por que nesses lugares, muitas vezes escuros, não existe um policiamento?

No que se refere aos trios elétricos... é impressionante como os músicos praticamente tocam as mesmas canções.
Muitos dos quais são chatos, falam demais, parece-me que eles não tiveram uma reunião prévia, não lhes foram explicados detalhes da festa, sei lá.
São, praticamente, as mesmas bandas de sempre.
Mesmo com vasto poder da música e das artes de Mossoró, a organização insiste em colocar os mesmos artistas de sempre. Uns ótimos, outros dão sono.

Eu percebo também uma certa má vontade com Pingo da Mei Dia.
E se enaltece muito o Boca da Noite, e não se faz o mesmo com Pingo. Haja vista a discrepância nas atrações de um para o outro.

Falta, também, à organização do evento, um incentivo para que as pessoas compareçam à festa fantasiadas.
Pouco se viu sábado passado.

Com tudo isso pode até parecer que eu não gostei mas, não: eu amei estar ali.
Dou dezenas e dezenas de voltas atrás dos trios, sou feliz no meio das ruas, canto, espalho o nome de Mossoró, loto minha casa de convidados.
Nosso bloco, que sempre homenageou uma estrela local, esse ano foi, inclusive, copiado pela própria prefeitura, que resolveu homenagear dois artistas da cidade, Neném do Baião e o poeta Antônio Francisco, com bonecos imensos assinados por Marcelo Amarelo.

Que se juntaram à homenageada do nosso bloco, atriz Tony Silva.

Eu amo o Pingo. Não somente porque foi Gustavo Rosado, meu irmão talentoso, competente, do bem quem criou.
E sim porque é um evento da nossa cidade, que celebra a cultura do nosso chão.
E canta, de pronto, Mossoró como melhor São João do Brasil.
E é.
E ponto.
Cultural, plural, grandioso.

Mas é preciso muito mais cuidado com o evento. É preciso cuidar do evento com bom gosto, com afeto, com respeito à cidade.

Não que isso falte administração de Rosalba, que por sinal estava linda, macérrima, embrulhada de verde esperança e com uma trança imensa, bem Rapunzel.

Mas falta mais.
Aliás, zelo, afeto e amor... Nunca serão demais.
Nunca.

 

Voltar