30 de Junho
Ilustre, até a alma!
Quando eu casei, 25 anos atrás, Elder e Zélia chegaram um pouco mais cedo. Eu já estava no adro da Catedral de Santa Luzia, ávido por jurar amor eterno e um pequeno som, que eu havia colocado na igreja, já tocava algumas músicas para receber os 1.200 convidados.
Demos um abraço de três, eu suando por dentro e de repente os dois, que já estavam de mãos dadas, resolveram dançar.
Dançaram ali mesmo, rapidinho, sob estrelas do céu naquele Dia de Finados (sim, casamos no Dia de Finados) e com as bênçãos da padroeira dos Monxorós.
Foi lindo, tenro, especial!
Os dois eram uma festa, que agora vai bailar sozinha neste mundo de meu Deus.
Estavam sempre sorrindo, braços abertos, diletos que sempre foram e para sempre seguirão.
Zélia agora andorinha dos seus verões, Elder com Deus Pai.
Na época em que morei em Mossoró, eles foram presentes nas nossas vidas com uma alegria contagiante. Como era bom ter os dois perto da gente!
Elder um galante, Zélia uma dama.
Sua partida marca o fim de uma era. O meio fim.
Elder, grandioso, honroso, totalmente demais.
Advogado, professor, pai zeloso, homem do bem.
Ah, que tristeza!
Com a sua partida morre um tanto do Rio Grande feliz, festivo, nunca frugal.
Uma dor oca, um que de vazio, sopros de tantas saudades correm entranhas aos soluços.
Deus o receba com muita luz, meu tão querido
Elder.
Para Zélia, meu abraço carregado.
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